31 de jan. de 2007

Governo dos EUA censura questão climática, diz relatório.

31/01/2007

Dois grupos privados, um de promoção da ciência e outro, de defesa do interesse público, afirmaram, durante uma audiência no Congresso americano, que cientistas especializados em questões climáticas, ligados a sete agências governamentais americanas, sofreram pressão política para minimizar a ameaça representada pelo aquecimento global.

Os grupos apresentaram uma pesquisa que mostra que cerca de 40% dos 279 cientistas que responderam a um questionário queixaram-se de que seus artigos científicos foram editados de forma a ter o significado alterado. Além disso, quase 50% afirmaram, em resposta a outra questão, que em algum momento receberam ordem de eliminar as expressões "aquecimento global" ou "mudança climática" de um relatório.

O questionário foi elaborado pelo grupo União de Cientistas Preocupados (UCS). O relatório apresentado ao Congresso baseia-se, ainda, em "experiências diretas" descritas durante entrevistas com a organização Government Accountability Project, que presta auxílio a pessoas que desejam fazer denúncias contra autoridades.

Esses dados foram apresentados na abertura de uma audiência do Comitê de Supervisão e Reforma do Governo sobre interferência política na questão do clima. O comitê é presidido pelo deputado Henry Waxman, do Partido Democrata, que faz oposição ao governo Bush e que obteve o controle do Congresso em eleições recentes.

O interesse intenso do Congresso americano na questão climática - o Senado também realiza audiências sobre o assunto - surge na mesma semana em que cientistas de diversas partes do mundo reúnem-se em Paris para preparar um relatório oficial sobre a questão.

Na audiência presidida por Waxman, os dois grupos disseram que suas pesquisas revelam "evidência de ampla interferência na ciência sobre o clima nas agências federais".

O relatório apresentado se vale de alegações, em sua maior parte anônimas, de cientistas que dizem ter visto suas descobertas distorcidas, terem sido pressionados a mudar resultados e terem sido censurados em suas declarações públicas.

A pesquisa envolveu pesquisadores em agências como a Nasa e a Agência de Proteção Ambiental, e dos departamentos (ministérios) de Agricultura, Energia, Comércio, Defesa e Interior. (AP/ Estadão Online)

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