29 de mai de 2008

RELATÓRIO - ENCONTRO SALAS VERDES FORUM MUNDIAL DE EDUCAÇÃO

RELATÓRIO

ENCONTRO SALAS VERDES FORUM MUNDIAL DE EDUCAÇÃO


Entre os dias 27 a 29 de março, foi realizado em Nova Iguaçu / RJ, o II Fórum Mundial de Educação - Baixada Fluminense. Este fórum teve como tema “Educação Cidadã para uma Cidade Educadora” e contou com duas novas Comissões no Comitê Organizador: a de Meio Ambiente e a de Esportes, complementando o trabalho das comissões que já existiam anteriormente: infra-estrutura, metodologia e temática, comunicação, finanças, cultura e FIJ - Fórum Infanto-Juvenil.


A oficina “Educação Ambiental por meio de Estruturas Educadoras : SALAS VERDES ” ocorreu no dia 28 de março de 14h00 às 18h00 na Universidade Estácio de Sá e estiveram presentes aproximadamente quinze pessoas num momento em que mais de quarenta outras oficinas ocorriam. O público presente na oficina variou entre representantes do MMA, das Salas Verdes e de pessoas interessadas na temática ambiental, que buscavam na oficina uma oportunidade para debater a questão.


Após a apresentação pessoal de cada um dos presentes, foi realizada uma breve descrição do estado da arte das salas verdes no país, destacando sua importância como estrutura educadora, que potencializa espaços na discussão da temática socioambiental e que realiza intervenções que permitam a construção de sociedades sustentáveis.


As salas verdes presentes – Mesquita, Nova Iguaçu ( Onda Verde) e Cananéia tiveram oportunidade de descrever de forma mais específica suas atuações. A Sala Verde de Mesquita , por exemplo, abriga as reuniões do fórum de agenda 21, desenvolve ações integrada com diversas secretarias do Município e trabalha em associação a diversas cooperativas de catadores de lixo na perspectiva dos 5 Rs (reduzir, reutilizar, reciclar , repensar, recusar) além de desenvolver ações de coleta seletiva e reciclagem. No processo de interação com a educação formal, as escolas vão à Sala verde e a Sala Verde vai às escolas, trabalhando ainda com empréstimos de livros a professores.


A Sala Verde de Nova Iguaçu ressaltou que trabalha em contínuo intercâmbio com as escolas, recebendo visitas, realizando encontros, exposições de animais, oficinas e seminários. Destacou que também trabalha com a coleta seletiva em Tinguá em parceria com a cooperativa de catadores e que possui forte apoio para publicação de revistas e materiais impressos que colaboram no processo educativo e de representação da sala verde. A representante da Secretaria de Educação apontou os benefícios trazidos pelas ações desenvolvidas aos alunos e elogiou a biblioteca nas ações que vem sendo desenvolvidas.

A Sala Verde de Cananéia, beneficiada por projetos do MEC, MinC e MMA descreveu a importância da integração das ações, mas mencionou as dificuldades enfrentadas pela burocracia exigida por cada projeto. A sala verde inicialmente ancorada na prefeitura, foi abarcada pelo ponto de cultura e atualmente, o município começa a discutir a Agenda 21. Mesmo com recursos escassos, várias ações, como produção de livros e DVD´s, estão sendo realizadas com incentivo de um coletivo Jovem Caiçara formado por jovens que já atuavam nas salas verdes,. O representante reconheceu que o Coletivo Educador, aprovado pela Chamada Pública para Coletivos educadores realizada pelo Departamento de Educação Ambiental do Ministério do Meio Ambiente deu a liga que faltava para integrar as políticas públicas que já estavam sendo desenvolvidas e apontou que atualmente existe uma gestão integrada que contribui para um debate político na região e para iniciativas que servem de referência para outras ações em andamento pelo país.


Após apresentação dos representantes das salas, abriu-se espaço para debate,onde foi destacada a importância da divulgação das ações em educação ambiental visando o fortalecimento das mesmas e ampliando a participação. Foi questionado como os participantes podem participar mais dos processos desenvolvidos pela salas verdes e foi apresentado que isto seria possível através da participação de palestras e cursos, do conhecimento dos canais de comunicação, além da integração e articulação das ações para o fortalecimento de todo movimento.


Em Nova Iguaçu, existem vários programas mas ainda não estão efetivamente integradas e então discutiu-se como poderia ocorrer essa integração. Foi, então, apontada a experiência do bairro-escola como um instrumento que propicia educação integral e a constituição de com-vidas nos bairros, atuando dessa forma como um integrador das políticas públicas existentes em Nova Iguaçu.


Com relação às salas verdes, foi discutido até que ponto as ações são desenvolvidas pela Sala verde ou pela instituição proponente e foi destacado que, com o tempo, a Sala verde transcende a um espaço delimitado e passa a ser parte intrínseca da instituição. No caso de Mesquita, o Centro de Educação Ambiental já tem a Sala Verde como referência.


Outra questão que foi amplamente discutida esteve relacionada ao papel dos educadores ambientais na transformação da realidade, na amplitude de ações que a educação ambiental deve alcançar, não sendo só para crianças , e na compreensão de que existe a necessidade do testemunho e da formação de pessoas que atuam no sentido educador.

O representante da Sala Verde de Cananéia - Fernando, apresentou uma moção reinvidicando a importância de uma parceria entre o programa Escola Viva do Ministério da Cultura e as Salas Verdes. Existe um acordo entre salas verdes e Pontos de Cultura, entretanto ele visualiza que a integração ainda não ocorreu, ressaltando que pontos de cultura e salas verdes são muito próximas. Neste sentido, solicitou uma maior conexão entre esses dois projetos para potencializar as duas ações pois podem ser mais efetivas quando unidas. O representante apontou a importância de incorporar a temática socioambiental nos pontos de cultura e se prontificou a contribuir com esse processo e reforçou a importância de se ocupar os espaços de decisão (foros e colegiados) para o encaminhamento das iniciativas.

O debate trouxe à tona questões relevantes que constam no dia a dia das salas verdes e dos educadores ambientais. As pessoas presentes se interessaram em prosseguir a discussão, e se envolverem mais com a questão, o que propiciou a troca de contatos ao fim do encontro e a definição da importância deste relato para socialização das questões discutidas.



Principais pontos abordados: educação ambiental, estruturas educadoras, experiências de salas verdes, pontos de cultura, convergências de políticas publicas no território, coletivos educadores e bairro escola.


Pontos mais debatidos: educação ambiental para as crianças ou para adulto? Os adultos são sujeitos que se educam e se transformam?

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